2/15/2018
Natal
O mundo inteiro comemora o Natal no dia 25 de Dezembro, menos a Igreja da Armênia, que celebra no dia 6 de Janeiro por acreditar que Jesus foi batizado nesta data. Dezembro foi o mês escolhido para festejar o nascimento de Cristo por causa do aniversário do Sol Invicto (invencível), assim chamado por marcar o final da "Saturnálias", festas em honra ao deus Saturno e que marcavam o meio do inverno, quando o sol era frio e os dias curtos.
Isso acontecia antes do século três depois de Cristo, quando esses festejos estavam ligados à religião pagã do mitraísmo, sobre a qual falaremos mais adiante. Em meados do século terceiro (a data não é exata), a igreja romana celebrava o "Christ Mass" na noite de 25 de Dezembro, o que é hoje a tradicional "Missa do Galo".
Alguns historiadores dizem que a palavra Natal em inglês (Christmas), surgiu desta cerimônia, transportada para a Inglaterra pelos soldados romanos que invadiram o país em suas conquistas por quase toda Europa. A celebração era permitida na data do "Solstício de inverno" (que acontecia em quase todo o hemisfério norte), aproveitando o rigor do frio, quando os povos passavam o tempo louvando o sol com grandes festas, muitas bebidas e comidas ao redor de enormes fogueiras. As reuniões eram para pedir o breve retorno do sol e a fartura das colheitas que iam ser semeadas (daí a honra a Saturno, o deus da agricultura).
Esses povos temiam o inverno por acreditar que suas longas noites encerravam espíritos de morte que espalhavam o terror entre os camponeses, obrigando-os a constantes vigílias ao redor de fogueiras para espantar as forças malignas da escuridão.Além desses fatos, as autoridades eclesiásticas escolheram 25 de Dezembro em conseqüência do dia 25 de Março, um espaço de nove meses (tempo de gestação humana), e por acreditarem que, nesta data, o anjo da anunciação teria comunicado à virgem Maria que ela seria fecundada pelo Espírito Santo.
Outra coincidência também aproveitada pelo clero, é que o equinócio da Primavera naquele hemisfério começa justamente no dia 25 de Março, quando o povo comemorava o aniversário da criação do mundo. Nesta época do ano tudo se tornava alegria naquela região da velha Europa, com o retorno do verde aos campos, o revigoramento da vida e as semeaduras, que faziam sob o entoar de cantigas populares cujas letras falavam de maçãs e outras frutas, da fertilidade dos animais e da fartura que os camponeses esperavam ver em suas mesas.Um fato histórico!
Inegavelmente, o cristianismo viveu com todas essas práticas do paganismo romano. Apesar disso, não é exato dizer que o Natal teve uma origem pagã. A origem do Natal é o nascimento de Cristo.
As saturnálias e festividades a Mitra é que foram substituídas pelas comemorações cristãs do Natal, que se tornaram muito mais verdadeiras e lógica aos olhos daqueles que iam se convertendo ao evangelho. Foi uma transferência automática do culto aos deuses para a adoração do verdadeiro sol de justiça, como diz Malaquias: "Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o Sol da Justiça, e cura terá nas suas asas e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria".
Alguns estudiosos sustentam que a escolha não foi automática, nem pegou "carona" numa tradição popular, mas uma estratégia aplicada pelos líderes cristãos para ofuscar o paganismo, isto era uma ameaça difícil de combater e rivalizava com o cristianismo em popularidade. Sabiamente, os cristãos teriam trocado o objeto do culto, transferindo a adoração a Mitra e as homenagens a Saturno pela contemplação do Menino Jesus na manjedoura e a alegria por ter nascido o Salvador dos homens.
A verdade, como na maioria dos fatos históricos, é difícil de precisar, mas o importante é que o cristianismo venceu o paganismo e a verdade do nascimento de Cristo prevaleceu entre os povos (inclusive não-cristãos), numa demonstração insofismável de que Deus está no comando da história, pois o que interessa é o fato, não a festa.
VALIDADE:
Pode-se observar que as festas natalinas têm uma origem controversa, uma mistura de diversas tradições e símbolos incorporados ao longo da história. Apesar disso, as comemorações do Natal acabaram sendo moldadas numa celebração que se tornou à única em todo o mundo capaz de deter as batalhas, num armistício para reconhecer e saudar o Príncipe da Paz.
Por si só esse fato ofusca quaisquer discussões sobre a validade de se comemorar ou não o natalício de Jesus, mesmo porque, nesta altura toda discórdia é vã diante da contribuição que cada cultura proporcionou às festividades com suas lendas particulares, tornando essa festa um patrimônio da humanidade.
Como tal, não é justa a tentativa de invalidar a sua legitimidade enfatizando fatos históricos que lhe foram oportunos, ainda mais que essa oportunidade foi determinante para o mundo reconhecer o senhorio de Jesus, embora possa não aceita-Lo.
Trecho extraído do livro: Festas populares e suas origens A. D. Santos Editora

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